Autor: Agnaldo Tavares Gomes (2011) Na terra do Gonzaga Um cabra atinado Apercebido o errado Na soma do calendário Atinou que doze é doze E não dez como é escrito Janeiro não é primeiro Mas é antederradeiro É que o tal do matemático Perdido na contaria Esqueceu que doze é doze Deu começo a prosaria. Eu acho no matutar Que ele bateu com as bolas Quando empreitava contar Os meses calendário. E no achocalho do coco O cabra ficou zureta Misturou as conta toda E anotou na caderneta Janeiro fevereiro março Abriu maio junho Julho agosto num acho Que setembro pode ser nove Setembro é setembro Senão seria novembro Assim como outubro é oito E dezembro é dezembro. Pra consertar o errado Eu modesto paciente Reformei o calendário Pro jeito mais coerente. Olhe só como ficou A belesura dos meses Tudo bem acomodado E ...
Autor: Agnaldo Tavares Gomes (2005) No sertão, onde o chão queima numa ardência de fogo qual fogueira de São João, Onde o mandacaru com bravura resiste à seca e ainda “fúlora”. Devoto de “Padim Ciço”, em Serra Talhada (Pernambuco) nasceu Virgulino. Menino aos 12, vaqueiro, aos 13, tropeiro e aos 16, cangaceiro. “Minha arma era um clarão permanente que nem lampião”. Lampião do sertão capitão do cangaço fez regaço: dançou baião em terras alheias fez dançar baião e xaxado sob o cano do rifle. Sete Estados viram o clarão do bandoleiro Lampião. Um Estado lhe deu uma fêmea, uma baiana – Maria Bonita Mulher valentona. “Maria, não grita, o filho já vem!” Maria não gritou o filho chorou nas mãos do cangaço. “Olha o fogo do mato”! (acertou Lampião) “É o fim do cangaço”? Lampião morre não tem fôlego de gato...